08 junho 2008

Meu primeiro poema

Estava eu na sétima série, em Outubro de 1992, com meus 12 anos de idade, quando, numa aula de Língua Portuguesa, esbocei meu primeiro poema político/social.


COLLOR

Presidente impedido
por favor não me impeça
De lhe pedir
um pouco de vergonha

pode ser meio difícil
meio complicado
mas, não seja tão ganancioso

Não brigue com Pedro
Não minta a ninguém
Seja mais justo e
menos mentiroso

Excelentíssimo
não seja esperançoso
tenha coração
Você tem ainda oito anos
Por favor, não seja ladrão

Dois milhões de dólares
fazem muita falta
para este Brasil
que tanto sofre

Excelentíssimo Presidente
Dê-nos esperança
De que teremos lembrança
De um presidente
que se foi
e que nunca voltará
28/10/1992

07 junho 2008

Não, hoje não!

Não, hoje não!
Não digam as horas
Não contem as calorias
Não façam refeições regradas
Não, não, me deixem livre

Não me perguntem do amanhã
Não ativem o passado
Apenas quero viver o hoje

Quebrem o despertador
Rasguem o dia da agenda
Escondam os calendários
Esqueçam qualquer número

O número do telefone
do celular
da caixa postal
do ramal
da conta bancária
e os números que lá existam

Quero abolir os zíperes
Os cintos de segurança
Os botões das camisas
Os nós das gravatas

Queimem os crachás
Derrubem os radares
Desativem o anti-virus
Esqueçam as senhas

Só encarem o infinito
De frente
E caminhem livres
Ao léu
De pés no chão
Braços abertos

Só hoje, me deixem livre!
Livre de verdade.

26 maio 2008

Há compartilhar

Há tanto para compartilhar
visões de um mesmo olhar
ilusões de como amar
loucuras a vivenciar

Há tanto para compartilhar
pratos a saborear
texturas para tocar
licores a embriagar

Há tanto para compartilhar
histórias a contar
outras para relembrar
devaneios a sonhar

Há tanto para compartilhar
e eu aqui a caminhar
à beira mar
sozinha ao luar
a pensar
na felicidade que pode ser
amar

28 abril 2008

Estação: OUTONO

Quero descer na estação outono e ficar
entre o amarelo frio de suas manhãs
junto à vermelhidão do entardecer

Quero descer na estação outono e sentir
o frescor de suas charmosas noites
o quente de suas brilhantes tardes

Quero descer na estação outono e contemplar
o completo azul do céu
o negro salpicado de estrelas da noite

Quero descer na estação outono e estagnar
no tempo, no espaço, sem voltar ao verão
nem chegar à primavera