24 dezembro 2007

Múltiplos fragmentos

diariamente
cada ser exige um de mim
sou múltiplos seres

às vezes me perco na multiplicidade
e me retiro
tentando ser um

recolho os fragmentos de mim
há migalhas perdidas
há blocos gigantes suspensos
há estilhaços nervosos
há restos doloridos

quando coloco a cabeça no travesseiro
encaro todos, um a um
e tento organizá-los
para que, no dia seguinte
inteira, possa voltar a me fragmentar

22 dezembro 2007

Na veia

Amo a imperfeição, a complicação.
Amo o mistério, a decodificação.
Detesto o fácil, o tranqüilo.
Preciso de turbulência, deseqüilíbrio.

Que venham os desafios e suas barreiras
Que venham as incertezas e suas encruzilhadas
Que venham as confusões e seus nós
Que venham o caos e seu labirinto

Não quero o normal, não quero o certo
Quero a paz do erro na tentativa
Quero o alívio depois da dura conquista
Quero a veia pulsando de adrenalina

Dispenso o opaco
Saio do foco
Apago a marcação

Sou câmera na mão

20 dezembro 2007

Ai que saudades de Tiradentes - MG

Minha pequena

Pequenina, cheia de graça e de magia
Sua voz intensa, histórica
Acaricia a Serra de S. José

O brilho de seus olhos, coloniais
cortonados por madeiras coloridas
charmozeiam suas ruas

A história em seus pés de pedras, duros e secos
pés que formam formosas ladeiras
Desenhados por pés negros, duros e secos
Pés que há muito não existem mais.

Sua fé ergueu templos
de Santo Antônio ao Padre Toledo
De Nossa Senhora do Carmo à Rosário dos Pretos

É na praça a reunião de seu povo
acariciados por contornos arquitetônicos diferenciados
protegidos por frondosos verdes
acompanhados por tristes cavalos

O céu enegrece
A magia cresce
A lua sobe
e a música aparece
a arte se engrandece
os artistas florescem

Pequena Tiradentes, cidade de Minas Gerais

um poeminha que nasceu...


Felicidade

Não me agüento
Expando
Explodo
Grito

Ela sai pelo brilho dos meus olhos
pelo suor de minha pele
no som estridente de minha voz
na expansão de minha boca num sorriso

Sinto ela correr em minhas veias

Tô que não me agüento
Pulo
Cambalhoto
Giro

E agora? Que é que eu faço?
Tô que não me agüento...

19 dezembro 2007

Início

Deus fez o mundo em 7 dias, eu fiz este blog em algumas horas. Para dar o pontapé inicial nesta página poética, aqui vai um devaneio ou uma divagação sobre um sentimento cruel, a esperança.

Posso dizer que esse é o poema que concretizou a credibilidade que eu dei a mim na arte da poesia.

Esperança

Diante de tantas evidências
Diante de tantas adversidades
Você não morre
Você sempre luta

Procura nas entrelinhas
Gosta das vírgulas
Prefere os sonhos
Olha o mínimo
Resgata o minúsculo.

Às vezes, desejo a sua morte.
Quero me vestir de negro.
Quero caminhar sozinha
Mas você não deixa
Você sobrevive, por qualquer palavra.
Por qualquer olhar.

Ali está você, esperando...
Esperando o que parece impossível

Esperando o que está machucando.

(07.01.2007)