27 janeiro 2008

E o tema é a saudade....

Hoje, um poema já publicado no meu outro Blog, o Tagarelices, em 23/02/2007. É sempre bom reler...

Ah saudade!!

Cerro minhas pálpebras
e na tela negra que surge
projeto o já vivido

são as fotografias que fiz
dos momentos bonitos que vivi
são luzes
as mais diferentes
enquadramentos inusitados
às vezes turvos, às vezes marejados

respiro fundo
sinto cheiros
diversos cheiros
perfumes, odores, essências
são segundos, milésimos
o coração acelera

ah saudade!

roço minha língua
no céu da boca
e tento rememorar
os sabores, os dissabores
as texturas, as temperaturas

apuro meus ouvidos
ouço vozes, escuto músicas
tocadas ao vivo, gravadas, imaginadas
reconstruo frases, lembro conversas
sinto os sentimentos nas palavras

ah saudade!

e na tela de minha pálpebra cerrada
as imagens, fragmentadas, rápidas
perenes...

tão difícil sustentar a memória
tão difícil sustentar segundos
quero reviver tudo
com a mágica dos sentidos

ah saudade!

Mas, abro os olhos
o teto branco de meu quarto
ainda é uma tela
nela projeto a saudade
do que ainda não vivi

Meu braços me abraçam
outra tentativa de conforto
apaziguando a saudade de ontem
o conforto do hoje
e o imprevisto do amanhã
ah saudade!

A saudade carrega a crueldade
que traz consigo a dor
porque dor de saudade
é carregada de crueldade

A crueldade de não poder matar
a dor de uma saudade
de uma realidade que não volta mais

Sonho vivido

Era melhor não ter vivido
não ter sentido
não ter amado
não ter sonhado

todo o real
hoje parece sonho
tudo o que viveu
hoje esmoreceu

mesmo morto
continua vivo
nas lágrimas diárias
de uma dor sem fim

dor de ter vivido
tudo o que morreu
tudo o que esmoreceu
daquele sonho vivo
que junto dele viveu

14 janeiro 2008

Há dias

Um dia se cansou de trabalhar,
No outro, de descansar
Uma noite se cansou de lutar
Na outra, de desejar
Uma manhã não quis acordar
Na outra, cansou de dormir

Um dia ela se cansou de lembrar
No outro, de esquecer
Uma manhã, ela quis parar de chorar
Na outra, de sorrir
E sorrindo, esqueceu de lembrar
Do dia em que chorou e se cansou

09 janeiro 2008

Ali

Lembranças
De minhas andanças
Por aí

Andanças
De minhas lembranças
Por aqui

Ânsia
De viver minhas lembranças
Por aí

Ânsia
De apagar minhas lembranças
Por aqui

Lembranças
De um ontem cheio de ânsia

Andanças
De um hoje a procura do ontem

Por aí, por aqui

Ali

08 janeiro 2008

Voceu

O meu todo eu
é apaixonado por ti
é carente de mim
é ausência de você

é um bem querer
querer demais
querer jamais
esquecer

o que sou eu
o que foi você
você sem mim
eu sem você
mim em você
você em mim
uma saudade de mim
quando você era eu

eu sou você
você sou eu
e eu já nem sei
quem sou eu
sem você


(07.01.2008)

01 janeiro 2008

Fez sucesso em 2007

O poema que reproduzo abaixo, fez um tantinho de sucesso no ano que se passou, 2007. Ele foi escrito em meados de Janeiro, então, já está, praticamente, fazendo aniversário. Aí vai ele para apreciação...

Estomacal

O estômago é
às vezes
um grande termômetro

Há dias em que
mesmo alimentado
parece vazio

Pode ser angústia
Pode ser carência
Pode ser amor

Amor? No estômago?
É, no estômago
Não pode ser exclusividade cardial

O coração ronca?
O coração sente um frio de repente?
O coração sacia?

Não me lembro ter sentido nada com o coração.
A minha angústia é estomacal.
Tenho fome de amor.