Não, hoje não!
Não digam as horas
Não contem as calorias
Não façam refeições regradas
Não, não, me deixem livre
Não me perguntem do amanhã
Não ativem o passado
Apenas quero viver o hoje
Quebrem o despertador
Rasguem o dia da agenda
Escondam os calendários
Esqueçam qualquer número
O número do telefone
do celular
da caixa postal
do ramal
da conta bancária
e os números que lá existam
Quero abolir os zíperes
Os cintos de segurança
Os botões das camisas
Os nós das gravatas
Queimem os crachás
Derrubem os radares
Desativem o anti-virus
Esqueçam as senhas
Só encarem o infinito
De frente
E caminhem livres
Ao léu
De pés no chão
Braços abertos
Só hoje, me deixem livre!
Livre de verdade.
07 junho 2008
Não, hoje não!
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